Assistia a um filme com piratas em busca de certo tesouro. Não foi muito para eu divagar sobre essas histórias de tesouros perdidos.
Quando era menina, havia em nossa estante uma enciclopédia intitulada “Tesouros da Juventude”, eram livros e mais livros em capa dura azul e letras douradas. Acreditava que todas as informações, soluções e respostas possíveis do mundo, estariam contidas em seus dezoito volumes. Quando me dei conta, estava no topo da escada de armar, buscando no armário minhas saudades internas.
Encontrei um mundo de lembranças queridas, empoeiradas e esquecidas entre caixas e pastas desbotadas pelo tempo. Uma infinidade de fotos, rolos de filmes super oito, documentos (daqueles que um dia podemos precisar), recibos, extratos inúteis, boletins escolares, recados e alguns cartões de “Felicidades por esta data querida...”.
Pois é, guardei meu passado e meus símbolos às vezes não tão inesquecíveis. Arquivei emoções, pessoas e amores, entre papéis de balas e tirinhas de jornal “Amar é...”, tão importantes naquela fase.
Acho que nós somos assim, um dia resolvemos lembrar momentos, pessoas e fatos, como se o nosso presente não fosse o suficiente para nos preencher. Precisamos do passado para nos certificar do agora.
Mas de que estou falando? De piratas, tesouros, enciclopédia e lembranças?
Falo de saudades, só isso. Do que passou e ficou internalizado, leve ou pesado, bom ou ruim, alegre ou triste, não importa, tudo faz parte do meu passado presente. Faz de mim uma pessoa melhor e mais humana.
Quanto à coleção “Tesouros da Juventude”, não sei exatamente que fim levou. Porém, do meu tesouro interno e particular sei que guardo até hoje entre pastas, caixas e no meu coração. Então pessoas, é muito bom saber que eu tenho um tesouro da juventude pra chamar de meu.