sábado, 31 de dezembro de 2011

Chegando...



FELIZ ANO NOVO

BOAS
NO
VIDA
DES
EM
2012
PARA
TODOS!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Concentração



Antonieta é uma paciente idosa que já passa dos 78 anos e como poucas é extremamente ativa e ciente das limitações que a idade lhe impõe na sua dinâmica de vida diária. Viúva, vive solitária com suas atividades e recordações. De seu casamento nasceram duas filhas, a mais velha que chamarei de Ana e a outra mais nova e principal fonte de preocupações que chamarei de Anita.

Antonieta relata que Ana é médica e está sempre muito ocupada e comprometida com a sua rotina entre hospitais, consultório e a família. Já Anita  não constituiu família, é separada e vive lá e cá, entre o seu trabalho como arquiteta e as crises que a doença que a invade lhe consome os dias em queixas sem fim. No último ano Anita vem se dividindo em morar com a mãe por conta das dores que apresenta por todo o corpo, sente-se melhor quando em companhia dela. É uma mulher de 53 anos bastante conturbada e infantilizada. Extremamente egóica e com atitudes impacientes. Antonieta por sua vez, fica dividida entre dar limites e não magoar a filha doente e sensível. O mal estar doméstico impera, pois tudo que Antonieta tenta ponderar, Anita toma como pessoal e transforma uma simples ida ao cinema, por exemplo, em um acontecimento estressante e desagradável.

Um dos motivos principais de Antonieta para estar em terapia são as constantes quedas causadas por desequilíbrios repentinos. As quedas em idosos são fonte de inúmeros trabalhos científicos e uma das maiores causas inclusive, de óbitos na terceira idade.
Antonieta foi encaminhada pelo seu geriatra, pois ele acredita que apesar de toda a sua determinação para cuidar da saúde (ela faz ginástica, arruma a casa e participa de grupos de reabilitação cognitiva), algo em desequilíbrio, talvez o psicológico, pode estar possibilitando tal sintoma.

Desde o início da sua terapia, Antonieta vem demonstrando interesse em tentar compreender os constantes tombos e a "falta de chão" que a acomete vez ou outra. É constante aos nossos encontros e bastante falante, não apresentando dificuldades para se colocar ou escutar as intervenções que lhe faço. Procuro pontuar as sessões sempre com as palavras que ela coloca, fazendo um link do seu discurso com os acontecimentos passados e também com os que vão se apresentando no momento.

Percebo que tenho uma jóia maravilhosa e que, aliás, muito tem me ensinado e contribuído com as suas pontuações e subjetivações perante a vida.
O atendimento com idosos como Antonieta é sempre muito agradável, pois são sujeitos onde o desejo já fez moradia eterna e está longe de pedir aposentadoria. Eles se vêm como são e por isso não tem receio de se colocarem.

Antonieta inicia a sessão com uma questão:
- Tenho uma dúvida que me atormenta, acho que sempre sofri de dislexia*. Olho para ela e sinalizo para evoluir mais. Ela continua e expõe que acredita ter dificuldades para se concentrar. Se inicia uma leitura, ela dorme e quando não dorme, fica relendo as páginas como se não compreendesse o que ali está escrito. Pergunto se sempre foi assim. Ela afirma que sim. Entretanto, para os outros afazeres o mesmo não ocorre e muda de assunto, comentando sobre as atitudes da filha Anita.
- Anita está sempre me cobrando cuidados. Reclama que não lhe dou atenção e que eu não a aceito como ela é, além de não compreender as suas dores. Ela faz terapia corporal, massagens e faz uso de diversas medicações, o que me preocupa muito. Tem atitudes extremadas e até de vermelho vivo já coloriu os seus cabelos...

Coloco como é interessante que Anita está sempre demandando o seu amparo, e pergunto:
- Você é afetiva com ela, quer dizer, abraça a sua filha, lhe faz elogios ou um simples um cafuné?
Antonieta faz uma pequena pausa para responder:
- Não, eu não consigo ser assim. Muda de assunto e começa a falar da neta, de como é criativa e decidida, além de ser bastante alegre e comunicativa.

Relato vai, relato vem e percebo que posso lhe colocar sobre o principal motivo daquela sessão: a concentração.
- Antonieta, que concentração é essa que você busca dentro de si? Será a mesma que Anita busca de  você? O que será que você não está conseguindo permitir que aconteça e que se faça uma ligação na relação entre você e Anita?  Interessante observar, de quantas cores Anita precisará pintar os cabelos para atrair a sua atenção, de quantas reclamações de dores e massagens corporais serão necessárias para receber seu abraço e o toque das suas mãos, de quantas palavras alegres e comunicações verbais estarão faltando para que uma relação mais criativa possa vir a fazer parte da vida diária entre mãe e filha?

Antonieta parou, pensou e respondeu:
- Será que estou precisando me concentrar mais em Anita? Eu sempre fui tão atarefada com meus afazeres domésticos, com meu esposo e nossos passeios, tão preocupada com a Ana e todos os obstáculos que a vida lhe apresentou, sabe como é a medicina, o marido difícil, a filha para criar e acabei por deixar a vida de Anita seguir por conta dela, afinal não teve filhos...

Fizemos silêncio então ponderei:
- Antonieta, um pouco de concentração em Anita até que será um bom remédio para as suas dores, esquisitices e até as queixas intermináveis que ela apresenta. Quem sabe se a concentração que você trouxe hoje não seja um pouco que falta para vocês e também para lhe possibilitar um caminhar mais seguro e sem tombos?

Levantei da minha poltrona e abri os braços para Antonieta. Ficamos ali, abraçadas e sentindo o inevitável conforto da palavra que havia generosamente se apresentado diretamente do seu inconsciente para o setting analítico: concentração.

 Para saber mais sobre a dislexia, acesse:  http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?657
(Os nomes das pessoas citadas no texto não correspondem aos seus nomes verdadeiros)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!


"Senhor!
No silêncio desta prece
Venho pedir-Te a paz, a sabedoria, a força.
Quero sempre olhar o mundo
Com os olhos cheios de amor.
Quero ser paciente, compreensivo, prudente
Quero ver além das aparências
Teus filhos, meus irmãos, como Tu vês
E assim, Senhor, ver somente o bem
em cada um deles.
Fecha os meus ouvidos a todas as calúnias
Guarda minha língua de todas as maldades
Para que só de bençãos se encha minh`alma
Que eu seja tão bom e tão alegre,
Que todos aqueles que se aproximem de mim
Sintam a Tua presença
Reveste-me da Tua Beleza, Senhor,
E que no decurso deste dia, eu Te revele a todos".

É Natal!
Que a doce paz de Jesus,
Reine hoje e sempre em todos os corações!

Prece de Ali-Omar

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Cenas cariocas

Meu Rio lindo de Janeiro pelo meu celular...

Lagoa Rodrigo de Freitas

Jardim Botânico

Urca

Praia Vermelha

Aterro do Flamengo

Da janela vejo o Corcovado...

Rua São Clemente direção Humaitá...

Praia de Copacabana

Arpoador

Domingo é dia de passear em Ipanema...

 De todas as cores e tendências...

Da minha varanda eu vejo...

e fotografo...

O que além do meu olhar
a vida se revela
em muitas cenas,
cores e possibilidades
de apenas ser feliz.

Conheça, viva e se apaixone.
O Rio de Janeiro espera por você de braços abertos!





Férias

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nós sujeitos do desejo


Nós pessoas!

Fazemos as nossas próprias escolhas,

Por mais que doa,

Ou nos delicie a alma,

Somos sujeitos do desejo.

Não há questão,

Mesmo na contra mão,

Existe o momento, a opção.

Caminhamos assim,

No dito, no feito,

Como sujeitos e donos de si.

Somos imperfeitos,

Mal acabados e enjambrados,

Suficientes e inertes,

Dentro do próprio desejo.

Até que a morte nos carregue,

Plenos de nada,

Nada a declarar.


Eu, inspirada por:

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mudança



Minhas palavras estão mudas
e escondidas do mundo,
há dias e das pessoas.
Elas andam tristes e obtusas.
Necessitaria talvez  
peregrinar por aí,
Por novos movimentos.
Sem rumo e nada a declarar.
Sem sinalização pra indicar
o norte do sul,
o leste do oeste.
Andar e não sentir as pedras,
Sem o tormento do tempo veloz,
passadopresentefuturo.
E eu, ah!
O não eu do não mais saber,
Das minhas letras mudas,
Não quero mais me falar.

sábado, 19 de novembro de 2011

Dialogues Bia



Bia (minha nina), estava com duas meninas da sua idade conversando, quando uma das meninas falou:
- Minha mãe gosta do Brad Pitt...
- E minha mãe, gosta do George Clooney, falou a segunda.
Bia não quis deixar por menos:
- Minha mãe gosta do Freud!


Mandou muito bem, Bia!!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Triste


Nem sempre sou assim, triste.
Nem sempre celebro a vida como deveria.
Hoje sinto a noite chegando,
Ela me invade tornando tudo escuro.
Sinto vontade de chorar...
Nem sei se o que sei é um saber,
Um objeto, A.
Das Verlieren,
Das contas coloridas,
Das voltas por cima,
Das idas e vindas internas...
Meu desejo fica pequeno
Se comparado a dor do não saber,
A do.r não ter.
Da falta persistente,
Do entre ser ou não,
Do eterno e será,
O que é, se não há?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sex.ta

Porque hoje é sexta-feira,
Porque foi mais uma semana,
Porque eu quero sorrir,
Só um pouco.
Pensando melhor,
Eu quero tudo,
Tudo que me for
Fazer mais Félix
E Fênix de mim!

domingo, 6 de novembro de 2011

Hot.ina




Este pequeno e grande texto, é do "O Mundo de Grã".
Gosto muito da forma como ele escreve e descreve as coisas e os acontecimentos da vida.
Fiquei tão encantada com a Hot.ina em especial, que pedi permissão para postar aqui no Das Verlieren.
Grã, generosamente divide a sua escrita aqui e agora, no bom latim:

Hic et nunc!

"Esperava um desdobramento, uma realidade que, de repente, cismasse de acontecer, uma faísca errante que achasse seu elemento à beira da combustão. Via a vida à beira da combustão, como se fosse esse seu rumo e houvesse algo sustentando-lhe a inércia, mas haveria um fraquejamento, pensava, haveria um relaxamento nessa sustentação artificial e tudo tomaria seu curso, em avalanche, mas era meu conceito quem ruia, dia-a-dia".

Quer ler mais?
Então acesse:
 

sábado, 5 de novembro de 2011

Eu sou o que eu sei ser




Meus escritos nada mais são do que palavras a dançar no meu mundo imaginário. São percepções que tenho das pessoas, de músicas e até de caminhos que percorro por aí. Não gosto de ter de explicar porque escrevi, quando ou como me inspirei nessa ou naquela frase. São insights que saem em profusão. Eu não preciso de muito para escrever, apenas sentimento e uma idéia. Pronto, assim fica o meu dito . Torto? Misterioso? Bom? Simplório? Nostalgico? Psicanalítico demais? Divertido? Não importa... Escrevo o que me vem na hora, o que me alegra ou atormenta o coração. E também, o que me atravessa além do olhar para  a vida. Eu sou assim, não gostou? Incomodou? Fica aqui a dica, não leia! Faça melhor, leia-se primeiro, se questione e procure se conhecer. Acredite mais em você, critique sem perder a elegância. Ser ou não ser além de uma pergunta, é um caminho o suficientemente humano e possível!

domingo, 30 de outubro de 2011

sábado, 29 de outubro de 2011

Dançar tango ou sonhar como Alice?




É verdade...   Já faz tanto tempo, que resignificar o meu dito seria como dançar solitária ao ritmo de um intenso tango. Olhar para um rosto que não mais me sorri e sentir o ritmo da melodia fazer conjunto com o meu desejo. Dançar e tentar me reconhecer na canção que não me pertence mais, a me envolver em palavras que ouso escutar como lamentos a me paralisar o futuro que não consigo prever. Às vezes eu me sinto sonhando como Alice, entre objetos que vão dobrando, triplicando em tamanhos que não dou conta de compreender.  Olho para o meu rosto e seu contorno já denuncia minha idade. No espelho não sou mais quem eu reconheço internamente. Os dias são como flashes instantâneos. Percebo que é tempo de fazer silêncio no meu próprio labirinto, porque a fome que me invade é pelos sins que não me permito mais dizer.

domingo, 23 de outubro de 2011

Acaso




Escutava pelo headfone e cantarolava a música quando algo a fez parar, “... o que o acaso decidir”. Laura silenciou e ficou muda. As palavras da canção como um ultimato, como uma enviesada intervenção. Necessitaria de mais um tempo pra evoluir seus pensamentos. Estava estarrecida, dividida e atônita, totalmente paralizada em ações que pensava já serem naufragadas no seu mar interno de ondas a ir e vir sem parar. O que? Como assim? Ah, já conhecia seus questionamentos ambivalentes. Sabia que a dor se transformara em um acaso feito de surpreendentes ditos, repletos de pontos de interrogações e senões, sem nenhum alento. Talvez fosse melhor assim, seus dias são um rebuscado de dilemas e confusões cotidianas. Por que parar? Afinal, tudo vai dar no mesmo lugar, no endereço de sempre e continuou cantarolando a música do Lulu “... Nós somos feitos um pro outro pode crer, por isso é que eu estou aqui .  E não há lógica que faça desandar, o que o acaso decidir”.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pro.testo




Queria mais, além de notas e claves de sol... Queria ir além do verbo, sentir novas palavras a invadir a alma. Eu falei alma? Alminha tão só e minha... Venha-me então, arrebata-me e sorrateira toma-me inteira, como um bom e tinto Bordeaux. Deixe-me brindá-la, alma inconstante como o meu desejo, beba-me em gotas, devagar, valha-me com as tuas notas, saboreie-me... Mas aos poucos, porque a farra é boa, mas nada é eterno, o tempo flui e dilui em dias frustrantes do nunca vir. Enfim, o que queres? Pergunto tolamente para o cristal frágil... Como me imaginar mais entregue a tua vontade? Pareço-te obsessiva? Talvez louca? Quimeras, quimeras, do que bebes hoje, agora escorre pouco da minha boca. Egoísta! Sou desejo instalado na sua alma, como um surpreendente pro.testo...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Efeitos

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

Clarice Lispector

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Onda boa!!!


Onda boa,
muita diversão e alegria...

Bia, foi muito bom aquele dia!



Tal mãe, tal filha...
Bia topa todas as aventuras e estripulias.
Minha pequena nina é pura adrenalina!

Chegando ainda...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Viajar é muito bom!


Amigos blogueiros:

Vou viajar por uns dias, me divertir e viver um pouco de fantasia.

Até breve!


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ela X Ela




Pensou que talvez existisse um lugar, uma chance... Talvez sim ou não... Pensou como pensam as pessoas apaixonadas e descrentes de qualquer perigo a espreitá-las. Sim, porque o amor é um misto de sensações caóticas e sem sentido. O amor acontece de forma arrebatadora e é como um viajante, um dia aqui outro lá... Como o amor conheceu o mundo, suas cidades, seus sabores e experimentou suas novidades a  imprimir-lhe um olhar mais atento e sensível. Diversas vezes sofreu e chorou da mesma forma que sorriu e se encantou. Era assim e seus dias eram feitos de sonhos, impressões que a rotina deixava de pessoas, das comidas que gostava de preparar e colocar na mesa para os seus. Observava suas próprias reações como um jogo solitário, imaginava o Outro, um oposto a lhe sorrir e acalmar a alma inquieta. E também, a lhe abraçar e acalentar as dúvidas e lágrimas que ás vezes surgia sem motivos aparentes. Era urbana, comum e atarefada. Com muitas ações, idéias e desejos. A vida ainda não terminou, mesmo com seus dias confusos e histéricos. Porque a vida flui como fluem os pensamentos de quem ama... De quem se sente amada... Vida louca, tão perto e tão longe, como o cérebro e o coração, o céu e o chão, a canção e o violão...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Única



Diga-me
Três palavras
Exponha-me
A dúvida
Reclama-me
Os dias
Revela-me
A questão
Estranha-me
A distância
Descreva-me
A vida
Faça-me
Única.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Borderline e a hipermodernidade

De todos os textos que li até agora na web sobre Borderline, este foi o que mais gostei. Roberta tem uma escrita psicanalítica que não complica, ela explica!
Quer ler mais?

 http://psiqueweb.blogspot.com/2011/03/borderline-e-hipermodernidade.html

Por Roberta de Medeiros


Freud deixou claro que todos nós temos traços neuróticos, ainda que não produzam um incômodo considerável. Esse era um padrão de normalidade que prevaleceu na sociedade vitoriana, na qual o homem respondia com recalque ao julgo da repressão autoritária.
Hoje, quando palavra de ordem é fruição, é a personalidade borderline que se impõe como a normalidade contemporânea, defende analisa o médico e psicanalista Nahman Armony, doutor em Comunicação e professor da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.
“Enquanto o neurótico trilhava o caminho do dever e da disciplina, o borderline, livre das amarras da repressão, transgride os limites das convenções sociais dando rédeas soltas à criatividade, pagando, porém, o preço da instabilidade”, compara Armony.
O borderline é um diagnóstico da psiquiatria, cujo quadro se caracteriza pela impulsividade, tendência ao ato, baixa resistência à frustração, instabilidade emocional que oscila do o amor ao ódio, perturbação da auto-imagem e a propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis.
Tal como a criança ansiosa por satisfazer seus desejos infantis, o borderline lança mão de todos os artifícios, inclusive aqueles que são contra lei. Ele tem sentimentos crônicos de vazio e demonstra uma busca constante por identificações.
Ao se deparar como pacientes com esse perfil em seu consultório, o psicanalista desenvolveu um estudo em que apresenta uma espécie de borderline não patológico que seria correspondente ao perfil do homem hipermoderno delineado pela sociologia.
A idéia foi defendida em sua tese de doutorado em Comunicação pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que deu origem ao livro “Borderline: uma outra normalidade”. Armony reconhece a existência de graus de gravidade da síndrome.
Segundo ele, há realmente um borderline severamente perturbado (borderline pesado) que beira a psicose, mas também existe um outro borderline que se aproxima da normalidade (borderline brando).
“Fui percebendo que as características dos meus pacientes borderlines eram semelhantes aos traços de algumas pessoas do meu convívio, só que em intensidades diferentes. Notei que um grande número de pessoas age de forma borderline. Elas usam os mesmos processos psíquicos, de um modo mais adequado à inserção social”, conta.
Se o borderline pesado tem dificuldades afetivas e nas relações interpessoais devido ao seu narcisismo exacerbado, o borderline brando parece se ajustar a uma sociedade em constante transformação.
De natureza inconstante e sujeito a identificações transitórias, ele navega ao sabor do fluxo vertiginoso proporcionado pela sociedade do chip e do “mass media”. Fluido, ele adota uma ética flexível que o torna adaptável a um mundo de permanentes modificações tecnológicas, econômicas e culturais.
Ao borderline, interessa um ego sem fronteiras, não a consciência vigilante do homem moderno. Sempre voltado para ação, ele se impõe tal qual a criança radiosa guiada por caprichos à espera de serem satisfeitos numa sociedade hedonista, cujo princípio é o prazer.
Sua intensidade o leva a buscar experiências inéditas, disponíveis graças aos meios tecnológicos que saturam a realidade e hiper-realizam um mundo, onde o importante é o gesto, o processo inventivo. O borderline se deixa seduzir por uma vida que, caoticamente, fragmenta-se em signos, imagens e dígitos. Tudo se revela leve e sem substância, como o sujeito hipermoderno.
Segundo Armony, o borderline brando nem segue os cânones do social como o neurótico, nem se dispersa improdutivamente como o psicótico. Seu mundo de fantasia, fortemente impregnado de afeto, pressiona no sentido da realização. Ele não desiste de realizar os seus desejos infantis no social.
A realidade impregnada pela fantasia e a fantasia, realizando-se no social, faz do borderline uma realidade cultural renovadora. O borderline é capaz de colocar de forma palatável para a sociedade suas fantasias.
Isso só é possível graças à identificação contínua e transitória do borderline com as pessoas e com o mundo, deixando-se permear pelo ambiente à sua volta – um processo que se autor chama de identificação “dual-porosa”.
O autor lembra que “o borderline pesado tenta tapar o seu vazio através de relações simbióticas; suas carências, embora eventualmente preenchidas, permanecem atuantes, podendo criar cegas exigências excessivas nos relacionamentos afetivos, sociais e profissionais, o que certamente causará transtornos. Já o borderline brando sobreleva seu vazio através de uma identificação dual-porosa com os seres humanos e com o mundo”.
O borderline não é mais mortificado pelo recalque como o neurótico da sociedade moderna. Não carrega dilemas de natureza ética, ele se deixa guiar pelas impressões estéticas. Múltiplo, inconstante, dono de uma identidade flexível, ele embarca num processo lúdico, transformando sua própria existência em uma obra de arte.
“Creio que não será nenhum abuso dizer que o artista talentoso recria magicamente o mundo através de sua arte, mesmo porque essa idéia permeia nossa subjetividade. Borderline e artista talentoso, quando não coincidem, encontram-se. Ambos recriam magicamente a realidade. O artista através da obra de arte e o borderline através da transformação da vida em obra de arte", afirma Armony.
Segundo o psicanalista, o borderline brando é capaz de realizar suas fantasias no social como o homem hipermoderno seria artista da vida, uma pessoa que vive criativa e apaixonadamente a própria existência.
Ele lembra que todos somos artistas na medida em que criamos nosso estilo de vida. O artista é aceito pelo social. O seu atrevimento já é esperado pela sociedade.
“Antigamente o artista poderia ser vaiado, como aconteciam com as óperas. Van Gogh, por exemplo, morreu sem que suas obras fossem reconhecidas. Mas atualmente uma pintura estranha ou uma música dissonante são tomadas como válidas.
A modernidade sólida não aceitava que existissem estilos de vida diferentes dos convencionados. A modernidade líquida, isto é, a hipermodernidade, já aceita que cada um produza esteticamente seu estilo de vida”, explica.
Segundo Armony, como o borderline não passa pela repressão, ele quer que sua realidade interna se realize imediatamente no social. Ele o faz independente de ser mais difícil ou mais fácil.
Ele o faz magicamente porque ele não percebe as dificuldades reais existentes. Muitas vezes isso dá certo. Se ele tem uma idéia original, estranha à sociedade, ele não desiste de realizá-la. Ele é insistente. Ele então pode criar uma nova realidade para a sociedade ou responder a um desejo dessa sociedade, que virá a aceitar sua fantasia.
Segundo Armony, o encontro de dois borderlines brandos pode ser um acontecimento, no mínimo, curioso. Isso porque o psiquismo de um permeia o psiquismo do outro. Essas pessoas realizam trocas de afetos e fantasias sem perder a sua individualidade. Elas estão em identificação mútua contínua.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais na sua IV versão, o transtorno de personalidade borderline é indicado quando presente cinco ou mais dos seguintes critérios:

(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado

(2) um padrão de relacionamentos instáveis e intensos, alterando entre a idealização e a desvalorização

(3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem

(4) impulsividade em pelo menos duas das áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo sexo, gastos financeiros, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente)

(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante

(6) instabilidade afetiva devido a acentuada reatividade do humor e sentimentos crônicos de vazio

(7) raiva intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por exemplo, demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)

(8) ideação paranóide transitória relacionada ao estresse.

Publicado na revista Psique

sábado, 20 de agosto de 2011

Meu olhar através do seu olhar


Eu não sei se poderia descrever o ver o mundo com os seus olhos...
Poderia ser de forma ambígua e confusa.
Minhas percepções seriam minhas apenas,
E nada poderia estar além do meu suposto olhar.
Eu acredito em percepções.
Interpretações, mesmo que certas do meu ângulo,
Talvez perderiam o sentido do seu sentido,
Talvez ganhariam outro olhar
Do grande Outro: imaginário e fugaz.
Além do que já  faço diariamente,
Ver com os seus olhos representa toda a dor
Que não dou mais conta,
Todo desejo represado em palavras e atos
Que não caberiam em um texto,
Ou contexto, será?
O que será que os seus olhos observariam através dos meus?
O que será que no meu discurso há,
Que te possa movimentar o que guardas dentro d'alma?
O que será que está contido no meu dito,
Que faz a tua alma se sentir mais amena,
Mais leve e decifrável?
O que te faz mais meu?
Movimento?
O que te assombra e temes?
Será o ato da palavra, discurso remoto e motor?
Será o que os teus olhos outrora não desvendaram?
O que será que te move e que te encantas no meu canto?
Sempre estive aí, tão perto ou tão longe,
Mas sempre dentro de nós.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ACTING-OUT: O OBJETO CAUSA DO DESEJO NA SESSÃO ANALÍTICA

Por Tania Coelho dos Santos

Publicado em OPÇÃO LACANIANA Revista Brasileira Internacional de Psicanálise, número 30, eds. Eólia, SP pags. 2001

A experiência analítica limita-se pela tarefa mesma que ela nos impõe: a de tudo dizer. O acting out irrompe como obstáculo interno a essa tarefa, isto é, mostra o que não se diz porque é impossível de dizer. Nas páginas que se seguem vamos ensaiar a hipótese de que há um laço de estrutura entre o fenômeno do acting-out e a passagem ao ato ao término de uma análise. Acreditamos seguir algumas pistas de Lacan tais como a que se segue: “No acting-out diremos portanto que o desejo para se afirmar como verdade, se engaja numa via onde, sem dúvida, só consegue chegar de uma maneira singular [...]’ele não é articulável, embora seja articulado’... ele é articulado, objetivamente se esse objeto que aqui designo é, o que chamei da última vez, o objeto a.”

Para seguir essa pista é preciso que nos recordemos de que o sujeito de que fala Lacan constitui-se no lugar do Outro, marcado pelo significante. O Outro é barrado, isto é, sempre enigmático, incompleto, logo é impossível apreendê-lo todo porque “a garantia de sua existência falta”. O sujeito, por conseguinte, será uma ocorrência também incerta no campo do Outro. Por isso Lacan nos dá uma pista para reconhecê-lo na experiência analítica: “o único traço de sua ocorrência é um objeto que se desprende, que se dejeta ou se deixa cair”. Eis aí a importância do acting-out e da passagem ao ato como índices da ocorrência do sujeito como impossível de dizer.

Passo então a distinguí-los sem deixar de mostrar sua articulação. Eles têm em comum o fato de constituírem modos de dejeção da cena. É preciso distinguir a dejeção de um objeto, da dejeção do próprio sujeito. O acting-out é uma saída à maneira de um contorno. Trata-se de uma dejeção do campo da fala pois “o objeto” se mostra. A ênfase é demonstrativa, orientada para o Outro e, portanto, não requer interpretação. O acting-out é já, em si mesmo, uma interpretação do desejo. A passagem ao ato é o gesto de deixar para lá o que é “impossível de dizer”. O sujeito devém o mais “apagado pela barra” e é dejetado da cena analítica. No momento do maior embaraço frente a uma conjunção impossível entre um “excesso de significantes no Outro” e “a falta de um único que possa representá-lo” que, com a adição comportamental da emoção como desordem do movimento, o sujeito precipita-se do lugar historiado que ocupava até então e bascula “fora da cena”. É nesse sentido que compreendemos a destituição do sujeito suposto saber ao término de uma análise. Ela designa o fim de uma análise e difere de uma interrupção quando é correlativa da passagem ao ato da realidade sexual do inconsciente.

Que ler mais?



Apenas Mais Uma de Amor





Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Sub-entendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Eu Acho isso tão bonito
de ser abstrato,baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
 
Lulu Santos e Nelson Motta

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Japão - Por Beatriz Pittas



João e Pedro fizeram seus próprios skates e foram ao parque. 
Mas então, tinha uma poça de piche e o carrinho de pipoca explodiu.
Chuva de pipoca pra todo lado.
Os meninos então correram até o japão.

 

Bia tem 8 anos

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amizade



Sofia e Beatriz (minha nina)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mononina


Mono é Mono
E Mona é Lisa
Na veia
Na lata
Na gíria guria!
Pra lá das tintas
Das regras, normas e tiranias
Palavras, letras e linhas
Muitas linhas...
É tempo sem tempo
Sem papo, sem love
Sem nexo, sem sexo
Com doxa, endoxa
Louva Deus
Lava Alma
Mono é Nina
Sem cama e calma
Que chegue...
Chega!

UFF, UFA!

sábado, 9 de julho de 2011

3 em 1

Pedagoga + Psicóloga + Parapsicologia????





Parapsicologia, vem do grego "para" [além de], "psique" [alma, espírito, mente, essência] e "logos" [estudo, ciência, essência cósmica] e sugere o significado etimológico de tudo que está "além da psique", "além da psicologia" ou mais especificamente, o que está além e, portanto inclui a psique e a psicologia. Neste sentido, podemos dizer que a Parapsicologia é uma Transpsicologia ou se correlaciona diretamente com sua irmã gêmea, a Psicologia Transpessoal e outras áreas das investigações mais avançadas, como a Psicobiofísica, Psicotrônica, Projeciologia e afins.
É também conhecida como Pesquisa Psi e ainda Metapsíquica [nomenclatura mais antiga], pode ser compreendida, a partir de um ponto de vista estrito senso, como o estudo de alegações paranormais e associados à experiência humana, ou seja, as interações aparentemente extra-sensório-motoras entre seres humanos e o meio ambiente.
Esses fenômenos também são conhecidos como fenômenos paranormais ou fenômenos Psi.osição da parapsicologia como um ramo da ciência é contestada sendo que os cientistas, incluindo psicólogos, classificam-na predominantemente como pseudociência devido ao fracasso em mostrar resultados através do método científico ortodoxo, laboratorial, newtoniano-cartesiano, em mais de um século de pesquisas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A dança - Pablo Neruda




Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma Canção de amor


Minha canção de amor é eterna.
Compus com as notas internas e diferentes de sol maior, mi bemol, lá menor...
Meu amor é assim... Intenso, possessivo e também, vadio e bandoleiro.
Em tempos de expressões vazias e corriqueiras, ele permanece adormecido.
Meu imenso e grande amor está guardado para um dia quem sabe vive-lo
como os tantos e possíveis amores reais, simbólicos e imaginários que observo por aí... 
E entre as notas de violões solitários que vez e outra me chegam,
vou tentando cantar e ninar o meu amor, lá, lá, lá, lá...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Hoje é dia da Mariana

12 anos - animes - energia - novidade - peruca roxa - cosplays e por aí vai...

                                               Feliz Aniversário!





                              Eu te amo também! (ai que mico, mãe!)


Pombo

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho... pombo

o pombo já vem, o pombo está chegando
sobre a aflição da Via Láctea
o pombo está dançando, o pombo está dançando
para curar seu coração

céu, mar la la la
céu, floresta la la la

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho... pombo

pombo no topo da montanha
pombo na margem do rio
pombo dentro dos seus olhos

o pombo já vem, o pombo está chegando
sobre a aflição da Via Láctea
o pombo está dançando, o pombo está dançando
para curar seu coração

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho

a-a-a-a-aventura para encontrar
a terra lendária
re-re-re-re-registrada
no livro velho... pombo

aah

terça-feira, 21 de junho de 2011

Na corte do Rei Arthur


Ester é uma jovem paciente e tem 22 anos. Desde a sua primeira entrevista apresenta discurso verborrágico e bastante adolescente com os fatos do seu dia a dia. Namora Arthur, mas tem Henrique (o ex), como o seu principal significante interno.

Ester passeia entre os seus dois eleitos, como se estivesse em um palco, interpretando sua própria peça teatral. Apesar de tudo, sofre com as dúvidas e pensamentos recorrentes que a invadem e paralisam seus dias, transformando-os em tempos cinzentos. Já passou por cenas de tentativas de suicídios, em mergulhos (rasos) depressivos internos.

Ela conta que sempre encontra com Henrique no pátio da universidade, seu corpo treme, as mãos gelam, sua voz se transforma e não consegue observar mais nada em seu redor. Henrique a toma integralmente para si e de forma indecifrável.

Porém, outro entra em cena: Arthur.

Namorado certinho (obsessivo), forte e dono das leis que ela tanto precisa para estar em equilíbrio.

O que Henrique bagunça, Arthur organiza e assim vai...

O triângulo amoroso tem em comum os mesmos amigos e locais de sempre. Por ironia do destino, freqüentam um boteco chamado Salvação. Interessante e significativo este cenário.

Ester revela que Arthur percebeu seus sentimentos por Henrique, apesar dela o esconder de tudo e de todos. Em relação aos seus sentimentos afetivos, está desesperada com o impasse que a "vida a colocou".

- Algo terrível aconteceu. Revela de forma dramática.

- Os dois festejaram seus aniversários e convocaram os amigos de cada parte para uma chopada, no mesmo dia e no mesmo local. Fui convidada pelos dois!

- E então?

- Eu não fui! A fala de Ester saiu desconcertada.

- Não tinha como, fiquei sabendo que eles se colocaram em duas grandes mesas com os amigos de cada lado e se digladiaram com olhares e chispas verbais durante a noite toda. Ainda bem que eu não fui! Ia ser difícil ver os dois se atacando. Já pensou, eu naquele meio?

- Como na corte do Rei Arthur, cara Guinevere? Ester então me devolveu um sorriso sedutor em resposta ao meu questionamento.
- Parece, né? Fez-se um pequeno intervalo...
- Quem será que vai tirar essa espada do seu coração?  E me levantei...

- Te espero na próxima quinta-feira, ok?

Ester aprumou o corpo, enrolou nervosamente os cabelos entre os dedos e falou:

- A boa de hoje vai ser tomar uns chopes  no Salvação com a Patty...

sábado, 18 de junho de 2011

Hoje é o dia da Beatriz!



 
Hoje é o dia:
da sua festa do pijama,
das 4 amigas,
 Malu, Sofia, Luma e Bia,
de bolo de chocolate,
guaraná,
brigadeiro da mamãe,
pipoca,
pizza com borda de catupiry,
Kdoguinhos,
filmes divertidos,
acampamento na sala
e enfim,
seu patinete.

Feliz 8 anos!
Eu te amo!



quarta-feira, 15 de junho de 2011

L'air du temps



Há sempre um tempo de voltar, de resignificar aquele dito que soltamos no ar, passado aéreo?

L'air du temps... Tão deliciosamente invisível como o ar que respiramos e nome(amos) como nosso?

Como as palavras que perderam a sua novidade nos livros velhos da minha estante, para retornarem em surpreendentes percepções presentes na minha mesinha d'cabeceira.cabeleira já grisalha de tantos anos de pensar, sentir, equivocar-se, transgredir, escolher, permitir, emocionar-se no divã de um outro, sou eu?

Associo-me livre(mente) e nova(mente) desligo o meu botão interno de não arquivar o que não quero e re(dizer) as palavras que ficaram por lá. O que será que haverá lá?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Da Ana Pra Maggy

Ana me enviou este vídeo do Youtube com um comentário singular... 
E pra falar a verdade, Gostei mais das suas palavras, motivo para este post...

Ana é psicóloga como eu e nos formamos juntas. Além de ter também formação em pedagogia, sua clínica é direcionada somente para crianças e adolescentes com dificuldades na aprendizagem. Ela une a Pedagogia e psicologia (psicanálise), com muito sucesso. Aprendo sempre muito com a Ana, que costuma me chamar de mãe postiça (ela tem 30 anos). É lógico que fico extremamente orgulhosa, pois é a filha de 30 que o passado me privou... Perdas a parte, estou sempre ganhando com seus toques e percepções muito apropriados.

Ah, se a gente pudesse sempre conseguir isso no consultório...
Transformar as palavras pardais que nos chegam desconexas, em pelo menos canções de ninar, 
que bom seria!


Eu acharia maravilhoso minha querida, e fico sem palavras com seu comentário tão pertinente e sensível.
Quando eu voltar a ser menina, quero ser como você!




segunda-feira, 30 de maio de 2011

DO CORPO À SUBJETIVIDADE: UM OLHAR PSICANALÍTICO SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER

Por Neuma Barros e Edilene Queiroz

O estranho não é nada novo ou alheio, porém, algo muito estabelecido na mente. O estranho é algo secretamente familiar, que foi submetido ao recalque e depois voltou.

Alienou-se, manteve-se afastado, separado, transformado em estranho-alheio através do processo de recalque, como Freud revelou em seu artigo “O Estranho”.

A vida, desde seus inícios – é uma tentativa de assimilar o estranho, o estrangeiro, tornando-o familiar. Eis o fio que marca seu percurso. Na demência, contudo, há um „sem fundo‟ que não alcança tradução, um nunca se sentir “em casa”, quando a inquietante estranheza não mais pode ser apropriada. Ai retorna o que outrora fora estranho, estranho que é familiar e que somente se alienou. A estranheza prepondera, vira presença familiar. Entre o estranho e o familiar, surge um sujeito incerto. Perdido e despojado de suas referências, é jogado à estrangeiridade de si mesmo, ao duplo de si próprio. As imagens de si e do outro não mais encontram a imagem da memória, a vida desliza, em descompasso.

Freud revelou: máquina de condensar, compor, organizar, aparelho de associar, traduzir, interpretar, eis o que somos. Sujeitos compelidos a agir e pensar, movidos pela alteridade de um circuito que pressiona à ação em uma certa direção. Freud nos mostrou, por exemplo, que quando nos vemos confrontados com afetos apartados, com representações segregadas, inconciliáveis, somos compelidos a incluí-los numa rede simbolizante, movidos por uma espécie de “compulsão a vincular, a associar”. Freud defendia que “nos sonhos predomina a compulsão a associar, que sem dúvida também domina primordialmente a vida psíquica em geral. Ao que parece, dois investimentos coexistentes precisam pôr-se em mútua conexão. ” (Freud, 1895) Freud também dá exemplos do predomínio dessa compulsão na vida de vigília.

Eis, em suma, a proposição a que nos levam nossas reflexões sobre a doença de Alzheimer: a compulsão à composição, a tendência à organização, muito ligada ao trabalho do eu, de Eros, de fazer ligações, de criar redes de simbolização, se desorganiza. Ao mesmo tempo em que as memórias se dissolvem, a composição vai se perdendo, se dissociando. As histórias se sucedem, perdidas no tempo. Há um retorno à simultaneidade dos primeiros tempos da formação do aparelho psíquico, quando não existe ainda uma relação de causa e efeito.

Um estrangeiro ressurge dos labirintos do psiquismo: a função psíquica que trabalha empreendendo elaboração secundária se enfraquece; a compulsão à composição, o trabalho de produzir condensações, de pôr ordem, estabelecer relações, organizar tramas inteligíveis, processando traduções, não mais se sustenta. A cada regressão, o estranho interno encoberto pelo recalque, aflora. Algo é encontrado sem se procurar, intensidades perdidas ressurgem o condensado de representações que compõem a história do sujeito se decompõem, os alicerces identificatórios cedem. Um sujeito desconhecido se mostra, movido por rompantes libidinais e de intensa agressividade. O horizonte do ser se esmaece, a ”tarefa de ser” perde a âncora identitária, o sujeito perde o continuum da esperança, perde-se de si mesmo e de sua morada, não mais habita em si.

O paciente de Alzheimer move-se na trilha movediça do esquecimento mais radical. Um não lugar e um não tempo, nem memória e nem história, eis a crônica de uma morte anunciada, quando os elos da memória e da história se rompem. Um caminho sem volta, que leva à descontinuidade e ao descentramento de si, da existência, do destino.

Este texto foi elaborado no contexto do projeto de pesquisa “Corpo, pulsão e linguagem”, do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do EPSI – Espaço Psicanalítico, em colaboração com o Laboratório de Psicopathologia Fundamental e Psicanálise da UNICAP/PE. O trabalho partiu da hipótese da neurologista Silvia Laurentino, segundo a qual o eu e supereu se desorganizam em decorrência da doença de Alzheimer. Meus agradecimentos à Silvia, que a mim confiou o desafio desta reflexão, à Edilene Queiroz, que comigo se debruçou sobre a complexidade do tema, e também aos psicanalistas Maria Helena Fernandes e Ronaldo Monte, pelas imprescindíveis contribuições.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Nana Nina Não!



- Bia, vamos pra AABB?

- Tá bom mãe!

- Bia, vai vestir o seu biquini!

- Ah, mãe!

- Bia, coloque o cinto, por favor!

- Puxa vida, mãe!

- Bia, vem cá passar o filtro solar...

- Fala sério, mãe!

Depois de algumas horas...

- Bia, precisamos ir embora.

- Nana nina não!

sábado, 14 de maio de 2011

No ar


Meia lua, meia volta, meia calça, dez e meia.
Dar o nó, tirar o pó, por  recheio no pão-de-ló.
Criatura de Cinderela na varanda para madrugar,
Segura o ar, fecha os olhos e deita o corpo para amar.
Passam noites e chegam dias a esperar,
Só pra ver o moço passar...
Veio o riso a gargalhar pra depois chorar o que não foi
O que não houve pro amanhã guardar.
Dia sim outro não e tudo fica no mesmo lugar,
O do não brincar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Senhora Ex-Machine

Ela meio que não sabe, ela é tipo assim, ela que talvez não use as palavras certas para decifrar o vai e vem da sua alma ainda de menina. Ela esqueceu ou se recusou de crescer e envelhecer, só pra guardar o amor que não cabe mais onde está. Além do que sente, sentiu ou pensa compartilhar, com o desconhecido da sua fronteira imaginária em um castelo no ar. Ela esqueceu de contar os dias que perdeu correndo e se deixando levar. Ela não sabe ainda em que espelho se olhar,  que rosto comparar e para quem sorrir e se dar. Ela tem perguntas, traduções próprias, esquemas certos, encontros adiados e ainda assim, ela fica a achar que o que procura deve estar perdido em algum arquivo pessoal. Seriam fotos, cheiros, sabores, seriam amores mortos, secos e intactos. Só para viver depois de amanhã. Ela que pensa que o seu dia recém começou depois de anos que não podem mais retornar, só pra contar que ela não sabe mais de nada que lhe traga o que hoje, agora quer para ela que... 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ENCONTRO VIVENCIAL




VOCÊ É UMA PESSOA ASSERTIVA?

Não sabe? Depende?
Deseja aperfeiçoar a sua forma de se relacionar com o outro?


Então venha conferir, pois neste encontro você irá compreender que ASSERTIVIDADE é uma habilidade social e por isso pode ser desenvolvida e, também, perceber que você pode expressar seus pensamentos e sentimentos de forma honesta e objetiva sem ferir a auto-estima do outro.

PROGRAMA


• O que é ASSERTIVIDADE
• O que gera a INASSERTIVIDADE
• Qualidade de Vida Individual e em Grupo
• Diferença entre Comportamento Passivo, Agressivo e Assertivo
• Como ser Assertivo
• Passos para a mudança

HORÁRIOS ALTERNATIVOS

TARDE: Dia 29 de Abril – 6ª feira das 14 às 17hs

NOITE: Dia 05 de maio – 5ª feira das 19 às 21:30hs

LOCAL: Rua Sorocaba, 264 - (10 min. do Metrô Botafogo e ao lado da academia KRAV MAGÁ)


INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES:

construiridentidade@gmail.com


O que é assertividade?

O termo assertividade origina-se de asserção. Fazer asserções quer dizer afirmar, do latim afirmare, tornar firme, confirmar e declarar com firmeza. (...)

A postura assertiva é uma virtude, pois se mantém no justo meio-termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressão), outro por falta (submissão).

O significado de assertividade tem sido distorcido, promovendo resistência nas pessoas. Muitos entendem que ser assertivo é ter apenas uma comunicação sincera e objetiva, sentido-se com o direito de dizer muitos "nãos" e poucos "sims" aos outros, "doa a quem doer e custe a quem custar". (...)

No ambiente profissional, o perfil assertivo é cada vez mais valorizado, principalmente num mercado de mudanças contínuas, que exige decisões objetivas e focadas nos resultados esperados e que considera relevante a construção de parcerias. A técnica assertiva "aposta" na mudança de comportamento passivo ou agressivo para um comportamento maduro e honesto, adaptado a todos os tipos de personalidade.

O comportamento assertivo é ativo, direto e honesto, transmitindo uma impressão de auto-respeito e respeito pelos outros. (...)

Uma pessoa assertiva vence pela influência, atenção e negociação, oferecendo ao outro a opção pela coorperação. Não oferece retaliações e estimula a comunicação de mão dupla. (...)

Ser assertivo é dizer "SIM" e "NÃO" quando for preciso. (...)

Para se tornar uma pessoa assertiva, você precisa se fortalecer com as atitudes que chamamos de base para comportamento assertivo. Sem elas, é impossível desenvolver uma comunicação em que você afirma seu eu sem massacrar o eu do outro.

* AUTO ESTIMA: origina-se da imagem que você tem de si mesmo. É a sua reputação vista por seus próprios olhos. É o que você pensa e sente sobre si mesmo. A qualidade da auto-estima depende de você. Depende a aceitação, da confiança e do respeito que você tem por si mesmo.

* DETERMINAÇÃO: é uma energia que faz você ter coragem para ir em frente e não desistir perante os obstáculos. É ter foco e clareza sobre onde quer chegar.

* EMPATIA: é colocar-se no lugar do outro mentalmente e sentir o que o outro está sentindo numa determinada situação. Somente pessoas maduras conseguem estabelecer empatia.

* ADAPTABILIDADE: é adequar seu estilo de comunicação e entrar em sintonia com seu interlocutor, seja uma criança, seja um idoso, tenha nível cultural alto ou baixo.

* AUTOCONTROLE: é assumir que o ser humano é bastante emocional e usar da racionalidade para gerenciar as emoções, não perdendo o controle das situações.

* TOLERÂNCIA À FRUSTRAÇÃO: é aceitar que não podemos só ouvir sins, pois exitem os nãos que são pertinentes e justos. Isto significa aceitar a diversidade humana.

* SOCIABILIDADE: é gostar de estar com pessoas, é se preocupar com o bem-estar do outro assim como o seu próprio. É tratar as pessoas com naturalidade e sem idéias preconcebidas.

Além dessas atitudes, existem três condições para ser assertivo:

1. Saber o que quer e aonde quer chegar
2. Partir de um pensamento positivo
3. Ser proativo para atingir os resultados