Lacan quando escreveu sobre
a “Foraclusão”, nos revelou a partir do
termo jurídico francês para designar o julgamento sem a presença do sujeito, ou
seja, que significa excluir, privar, impedir,
banir, cortar, ser barrado ou estar fora, nos fala sobre a metáfora paterna e a
foraclusão do nome do pai.
Este é o sujeito que é e está foracluido e sem a lei. Esclarece
também, como o a estrutura psicótica vai acontecer em uma experiência interna
onde a lei não ocorre e é inexistente na sua subjetividade pessoal e dinâmica
familiar. É o sujeito que assimila
durante o seu desenvolvimento emocional e social, a não lei, as desautorizações
parentais, as destituições e o não limite e também, a partir de outras formas simbólicas.
Este sujeito dos dias atuais e que se
faz presente em inúmeros momentos, é aquele que mora ao lado e que muitas vezes
convivemos diariamente e em diversas situações. Em sua constituição, a lei para
ele não é validada, não existe o certo ou errado, existe apenas o nada e a não
falta. A lei como uma não existência do outro e do desejo do outro. É o sujeito
que vive a céu aberto, sem barreiras e limites. E sem fronteiras ele segue sem um
endereçamento para chamar de seu.
É o sujeito que burla a lei, ultrapassando os
sinais de trânsito, estacionando em locais proibidos, furando as filas, corrompendo
a tudo e a todos, ultrapassando todas as normas e condutas sociais, consumindo
sem barreiras e compulsivamente por motivos fúteis, sejam drogas, álcool ou
bens materiais, expondo a vida em redes sociais e sem critério algum. Totalmente
corrompido, sem ética em nome de uma estética do nada. Sem a lei para lhe amparar e acolher as suas angústias internas.
Será esse sujeito, o foracluido, que seguirá vida a fora, sem chegar a um ideal de ser um sujeito pleno e constituído de uma lei não
existente a sua compreensão e formação egóica ideal, a nos constituir?
Será
esse sujeito, que sofre na sua dor, onde a falta do nada faz conjunto com o seu
eterno caminho sem fronteiras de si e do outro, sem um futuro possível de uma
plenitude, chegar a ser integral, apesar da inexistência total da lei interna e
social?
A lei que rege a boa vontade humana no seu ideal de apenas ser sujeito
do desejo, um sujeito livre de rótulos inúteis para viver bem, apenas o
suficientemente bem?