Havia encontrado uma caixa velha e abandonada. Interessante como aquele achado, tinha ressuscitado o passado e o transformava em uma repentina novidade. Parou um instante, tentou elaborar alguma questão, e por mínima que fosse ela precisava de uma dose de coragem. Algo no seu inconsciente avisava que estava prestes a ter que lhe dar com certas emoções. O telefone tocou, ficou num impasse entre atender o presente, ou ficar ali, ainda que meio anestesiada, buscando coragem para mergulhar no fundo da caixa. Sim, ela lembrava o que estava ali guardado. Era o seu vestido de noiva, uma guirlanda de flores, um par de luvas rendadas e um pequeno buquê de rosinhas pequenas e delicadas. Lembrou-se do dia que fora ao centro da cidade para comprá-las, da sua euforia e expectativas com o futuro. Quase todas as noivas passam por este sentimento único, e também, avassalador. Não podia reclamar do tempo, havia construído uma vida feliz e filhos saudáveis, que lhe deram netos. Enfim, a sua vida como uma árvore, frutificou...
Lagrimas teimosas insistiam em lhe nublar a vista. O que estava acontecendo com ela?
Entre os babados e rendas do vestido já amarelado pelo tempo, caiu uma foto, foi caindo devagar, como se precisasse lhe dar um tempo. Podia observar dois jovens felizes e apaixonados que sorriam. É, o tempo havia corrido rapidamente. Conseguia escutar o burburinho das pessoas, a música e até sentir o sabor do beijo em seus lábios. Não conseguia parar de olhar para aqueles dois, ali, naquela foto de Polaroid, a única expontânea, tirada momentos antes da festa, por sua irmã caçula, Rita...
O telefone tocou novamente e foi atender. Era engano. Após a ligação, sentou-se no sofá e ligou a televisão, pegou o seu tricô e recomeçou o entrelaçar da linha azul.
Mais tarde, sua filha mais nova, Rita, se aproximou e carinhosamente lhe abraçou e perguntou como havia passado o seu dia, e o que tinha feito. Nada, respondeu, apenas nada.
O telefone tocou novamente e foi atender. Era engano. Após a ligação, sentou-se no sofá e ligou a televisão, pegou o seu tricô e recomeçou o entrelaçar da linha azul.
Mais tarde, sua filha mais nova, Rita, se aproximou e carinhosamente lhe abraçou e perguntou como havia passado o seu dia, e o que tinha feito. Nada, respondeu, apenas nada.
Rita, a caçula, todos os dias repetia a visita à casa da sua mãe, Olga, para ver como estava. Andava preocupada com os seus esquecimentos e confusões repentinas. Sua mãe sempre fora uma mulher ativa e independente, porém, depois do AVC, apresentava alguns esquecimentos, como por exemplo: a panela no fogo, a receita predileta que esquecera como fazer, o excesso de sal na comida, o horário dos remédios, enfim, o médico suspeitava ser a Doença de Alzheimer. Sempre pensou que esta doença era genética, mas não, algumas pessoas a adquirem após um acidente vascular cerebral ou até mesmo, traumatismo craniano.
Quando entrou no quarto de sua mãe, reparou que a caixa com o vestido de noiva estava sobre a cama e sorriu meio nervosa, ultimamente, era o único lapso completo de memória do passado que Olga não perdera. O médico, porém a avisara, daqui para frente, só o passado estaria integro no seu presente e futuro. Que ironia, o passado como protagonista...
Fechou a caixa carinhosamente e a guardou novamente no armário, tomando o cuidado para deixar bem à mão, sabia que para sua mãe, aquela caixa era muito importante. Ironicamente, seu passado triste e perdido, fazia a ponte com o seu presente. Mas até quando?
O médico somente suspeitava da doença, até porque, não poderia diagnosticá-la seguramente. Ela ainda conseguia fazer muitas atividades da sua vida diária. Por enquanto, eram só esquecimentos.
Quando entrou no quarto de sua mãe, reparou que a caixa com o vestido de noiva estava sobre a cama e sorriu meio nervosa, ultimamente, era o único lapso completo de memória do passado que Olga não perdera. O médico, porém a avisara, daqui para frente, só o passado estaria integro no seu presente e futuro. Que ironia, o passado como protagonista...
Fechou a caixa carinhosamente e a guardou novamente no armário, tomando o cuidado para deixar bem à mão, sabia que para sua mãe, aquela caixa era muito importante. Ironicamente, seu passado triste e perdido, fazia a ponte com o seu presente. Mas até quando?
O médico somente suspeitava da doença, até porque, não poderia diagnosticá-la seguramente. Ela ainda conseguia fazer muitas atividades da sua vida diária. Por enquanto, eram só esquecimentos.
Às vezes ficava triste, sua mãe começara a pensar que ela, Rita, era a sua irmã caçula, também já falecida... O que mais a esperava?
Rita sabia como responder, só o tempo, o amor e o respeito, seriam capazes de lhe encorajar o futuro, que a doença ceifava da vida da sua mãe.
A constatação era triste, porém, a única que possuía: o passado renovado em um futuro, que não mais virá...
Rita sabia como responder, só o tempo, o amor e o respeito, seriam capazes de lhe encorajar o futuro, que a doença ceifava da vida da sua mãe.
A constatação era triste, porém, a única que possuía: o passado renovado em um futuro, que não mais virá...















