sexta-feira, 30 de março de 2012

A dor de amar


O livro que eu recomendo desta vez é um pequeno grande livro (de bolso), de J.-D.Nasio. Eu não pude deixar de fazer um link com a música de Raul Seixas e Paulo Coelho, Gita. A vida de Raul Seixas, que aliás,  está rodando nos cinemas e ainda não assisti... Pensei, tem psicanálise e cinema, psicanálise e os contos de fadas, e também,  psicanálise e a música, entre outros temas. Apreciem, eu espero que este maravilhoso texto do Nasio, repleto de verdadeiros e belos aprendizados, faça par para vocês como fez para mim, da importância que tem o amor para todos nós, sujeitos que somos do desejo, com a letra repleta de significados do Raul...


Gita
 Raul Seixas / Paulo Coelho

- Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou:
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada,
Nem fico sorrindo ao teu lado.
Você pensa em mim toda hora.
  Me come, me cospe, me deixa.
Talvez você não entenda,
Mas hoje eu vou lhe mostrar.
Eu sou a luz das estrelas;
Eu sou a cor do luar;
Eu sou as coisas da vida;
Eu sou o medo de amar.
Eu sou o medo do fraco;
A força da imaginação;
O blefe do jogador;
Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.
Eu sou a vela que acende;
Eu sou a luz que se apaga;
Eu sou a beira do abismo;
Eu sou o tudo e o nada.
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água e do ar!
Você me tem todo dia,
Mas não sabe se é bom ou ruim.
Mas saiba que eu estou em você,
Mas você não está em mim.
Das telhas eu sou o telhado;
A pesca do pescador;
A letra "A" tem meu nome;
Dos sonhos eu sou o amor.
Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo;
Eu sou a mão do carrasco;
Sou raso, largo, profundo.
Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão;
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.
Eu!
Mas eu sou o amargo da língua,
A mãe, o pai e o avô;
O filho que ainda não veio;
O início, o fim e o meio.
O início, o fim e o meio.
Eu sou o início,
O fim e o meio.
Eu sou o início
O fim e o meio.



O amor é a presença em fantasia do amado no meu inconsciente

Se insistem para que eu diga por que eu o amava, sinto que isso só  pode exprimir-se respondendo: " Porque era ele; porque era eu”.
                                                                                                                                                                                    Montaigne

Essas linhas de Montaigne são de um belíssimo texto sobre a amizade, escrito pouco depois da morte do seu amigo mais caro, La Boétie. Dentre as muitas amizades que alimentaram a sua alma, ele distingue aquela, única, que o ligava indissoluvelmente ao seu companheiro. Amizade tão poderosa que todas as costuras das suas diferenças se apagaram em uma presença comum. Depois, tentando responder ao motivo de um tal amor excepcional pelo amigo eleito e recentemente desaparecido, Montaigne escreveu essa frase cintilante de beleza e de discrição: “Por que eu o amava? Porque era ele; porque era eu.” Assim, o amor permanece sendo um mistério impenetrável, que não se deve explicar, apenas constatar.

Outro escritor adota uma reserva semelhante diante do enigma do apego ao eleito. Em Luto e melancolia, Freud fala do amor falando da morte. Observa que a pessoa enlutada ignora o valor intrínseco do amado desaparecido “A pessoa enlutada sabe quem perdeu, mas não sabe o que perdeu ao perder o seu amado. Graças ao simples “que”, impessoal, Freud sublinha como o ser que mais amamos é acima de tudo um personagem psíquico e o quanto esse personagem virtual é diferente da pessoa viva. Sem dúvida, o amado é uma pessoa, mas é primeiramente e, sobretudo essa parte ignorada e inconsciente de nós mesmos, que desabará se a pessoa desaparecer. Mais recentemente, Lacan, também diante do laço amoroso, inventa o seu “objeto a”. Pois é precisamente com a expressão “objeto a” que ele simboliza o mistério, sem com isso resolve-lo. O a, afinal, é apenas um nome para designar o que ignoramos, ou seja, essa presença inapreensível do outro amado em nós, esse duplo psíquico que se coagula quando a pessoa do amado nos deixa definitivamente.

Essa é justamente a questão decisiva, tão insolúvel quanto inevitável. Em que consiste o “o” que perdemos ao perder o ser amado? O que une dois seres para que um deles sofra tão profundamente com o fim súbito do outro? Assim, no momento o nosso problema não é mais o da dor, mas o do amor. É realmente o amor que nos interessa agora, porque é demarcando o melhor possível a sua natureza que chegaremos a uma nova definição psicanalítica da dor. Quem é pois aquele que eu amo e considero único e insubstituível? É um ser misto, composto ao mesmo tempo por esse ser vivo e definitivo que se encontra diante de mim e pelo seu duplo interno impresso em mim.
O texto continua...
J.-D. Nasio em A dor de amar

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Meu Outro (Nosso) Eu


Entre o ser e o ter há um existir, uma falta, um devir. Há um Outro lá e este não sou Eu. Vejam, eu não estou aqui a falar alhures, apenas sobre o vazio que o cotidiano as vezes nos apresenta. Como sujeitos mal (muito bem) acabados, somos o que nos resta; de dias e noites cobertos de dores, de amores, de desejos e de percepções que captamos aqui e ali. Ah, mas eu poderia falar sobre outras coisas, sobre a "coisa" que invade e transforma a nossa sobrevivência em um algo mais criativo. Somos sim, sujeitos de quimeras e que vão aos poucos se transformando em desejos nem sempre realizáveis, mas constituídos de outras novas e estranhas quimeras, que nomeamos conforme e quando os nossos caprichos assim se fazem presentes. Somos sim, senhoras e senhores, pessoas de bem, que só "esperam" e "tentam" produzir nada mais do que hipóteses de uma vida mais feliz. Até quando e enquanto assim o empurrarmos, ao nosso querido e eterno, em nome do pai e que se faz sempre presente, o quiser. É um ponto final ou apenas um será, onde nada além do nada, imaginamos estará? E quem é que me responderá?


sábado, 24 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

eu_100%@_e_ outros_ ais.com













Eu sei, eu sei,
Eu não tenho mais a escrita,
E o que em mim está inscrito.
É lei, a lei,
É pau, pedra e algumas palavras ilícitas.
Eu digo, te digo,
Não reparo mais no meu próprio umbigo.
É pão, café, leite e manteiga,
O aroma nas minhas manhãs,
Sem jornal, notícias,
E deleites pra viver o dia.
É dia, é dia,
E novamente eu sigo.
Eu falo, te falo,
Eu escolho meu próprio falo...
Eu explico e repito,
Eu esclareço meu endereço,
Eu torno público meu perfil,
E depois...
Eu choro, eu choro,
E me esqueço,
Apesar de tudo...

imagem: http://br.freepik.com/

Pelos ares - Adriana Calcanhoto

AS PSICOSES - UM ESTUDO SOBRE A PARANÓIA COMUM




PHILIPPE JULIEN



"Se fazer reconhecer" pelo publico graças as memórias escritas. Freud chama isto uma cura e Lacan chama isto ser o sintoma. Então, em sua prática clínica da psicose, é importante que vocês destruam a fronteira entre o psíquico e o social. Vejam o que a prática analítica da psicose nos ensina: não procurem o êxito na vida privada com o psicótico, vocês fracassarão. Estou de acordo com Lacan neste ponto. É uma falsa separação, o psíquico de um lado e o social de outro. Alguém esta manhã falou de amizade com o psicótico. Eu disse sim, mas justamente em função desta inserção social mais além da vida privada como meio de compensação, de suplência para uma estrutura psicótica. É isto a cura. Eu posso dar centenas de exemplos de fim de análise em psicóticos nesta direção que Lacan nos indica: ajudar um psicótico numa participação social e não se preocupar, nem se debruçar sobre a vida privada, quer dizer, sobre o gozo fálico. Não é este o problema.




sábado, 3 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Parabéns, Rio de Janeiro!

Minha alma canta e se encanta por você...