quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Borderline e a hipermodernidade

De todos os textos que li até agora na web sobre Borderline, este foi o que mais gostei. Roberta tem uma escrita psicanalítica que não complica, ela explica!
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 http://psiqueweb.blogspot.com/2011/03/borderline-e-hipermodernidade.html

Por Roberta de Medeiros


Freud deixou claro que todos nós temos traços neuróticos, ainda que não produzam um incômodo considerável. Esse era um padrão de normalidade que prevaleceu na sociedade vitoriana, na qual o homem respondia com recalque ao julgo da repressão autoritária.
Hoje, quando palavra de ordem é fruição, é a personalidade borderline que se impõe como a normalidade contemporânea, defende analisa o médico e psicanalista Nahman Armony, doutor em Comunicação e professor da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.
“Enquanto o neurótico trilhava o caminho do dever e da disciplina, o borderline, livre das amarras da repressão, transgride os limites das convenções sociais dando rédeas soltas à criatividade, pagando, porém, o preço da instabilidade”, compara Armony.
O borderline é um diagnóstico da psiquiatria, cujo quadro se caracteriza pela impulsividade, tendência ao ato, baixa resistência à frustração, instabilidade emocional que oscila do o amor ao ódio, perturbação da auto-imagem e a propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis.
Tal como a criança ansiosa por satisfazer seus desejos infantis, o borderline lança mão de todos os artifícios, inclusive aqueles que são contra lei. Ele tem sentimentos crônicos de vazio e demonstra uma busca constante por identificações.
Ao se deparar como pacientes com esse perfil em seu consultório, o psicanalista desenvolveu um estudo em que apresenta uma espécie de borderline não patológico que seria correspondente ao perfil do homem hipermoderno delineado pela sociologia.
A idéia foi defendida em sua tese de doutorado em Comunicação pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que deu origem ao livro “Borderline: uma outra normalidade”. Armony reconhece a existência de graus de gravidade da síndrome.
Segundo ele, há realmente um borderline severamente perturbado (borderline pesado) que beira a psicose, mas também existe um outro borderline que se aproxima da normalidade (borderline brando).
“Fui percebendo que as características dos meus pacientes borderlines eram semelhantes aos traços de algumas pessoas do meu convívio, só que em intensidades diferentes. Notei que um grande número de pessoas age de forma borderline. Elas usam os mesmos processos psíquicos, de um modo mais adequado à inserção social”, conta.
Se o borderline pesado tem dificuldades afetivas e nas relações interpessoais devido ao seu narcisismo exacerbado, o borderline brando parece se ajustar a uma sociedade em constante transformação.
De natureza inconstante e sujeito a identificações transitórias, ele navega ao sabor do fluxo vertiginoso proporcionado pela sociedade do chip e do “mass media”. Fluido, ele adota uma ética flexível que o torna adaptável a um mundo de permanentes modificações tecnológicas, econômicas e culturais.
Ao borderline, interessa um ego sem fronteiras, não a consciência vigilante do homem moderno. Sempre voltado para ação, ele se impõe tal qual a criança radiosa guiada por caprichos à espera de serem satisfeitos numa sociedade hedonista, cujo princípio é o prazer.
Sua intensidade o leva a buscar experiências inéditas, disponíveis graças aos meios tecnológicos que saturam a realidade e hiper-realizam um mundo, onde o importante é o gesto, o processo inventivo. O borderline se deixa seduzir por uma vida que, caoticamente, fragmenta-se em signos, imagens e dígitos. Tudo se revela leve e sem substância, como o sujeito hipermoderno.
Segundo Armony, o borderline brando nem segue os cânones do social como o neurótico, nem se dispersa improdutivamente como o psicótico. Seu mundo de fantasia, fortemente impregnado de afeto, pressiona no sentido da realização. Ele não desiste de realizar os seus desejos infantis no social.
A realidade impregnada pela fantasia e a fantasia, realizando-se no social, faz do borderline uma realidade cultural renovadora. O borderline é capaz de colocar de forma palatável para a sociedade suas fantasias.
Isso só é possível graças à identificação contínua e transitória do borderline com as pessoas e com o mundo, deixando-se permear pelo ambiente à sua volta – um processo que se autor chama de identificação “dual-porosa”.
O autor lembra que “o borderline pesado tenta tapar o seu vazio através de relações simbióticas; suas carências, embora eventualmente preenchidas, permanecem atuantes, podendo criar cegas exigências excessivas nos relacionamentos afetivos, sociais e profissionais, o que certamente causará transtornos. Já o borderline brando sobreleva seu vazio através de uma identificação dual-porosa com os seres humanos e com o mundo”.
O borderline não é mais mortificado pelo recalque como o neurótico da sociedade moderna. Não carrega dilemas de natureza ética, ele se deixa guiar pelas impressões estéticas. Múltiplo, inconstante, dono de uma identidade flexível, ele embarca num processo lúdico, transformando sua própria existência em uma obra de arte.
“Creio que não será nenhum abuso dizer que o artista talentoso recria magicamente o mundo através de sua arte, mesmo porque essa idéia permeia nossa subjetividade. Borderline e artista talentoso, quando não coincidem, encontram-se. Ambos recriam magicamente a realidade. O artista através da obra de arte e o borderline através da transformação da vida em obra de arte", afirma Armony.
Segundo o psicanalista, o borderline brando é capaz de realizar suas fantasias no social como o homem hipermoderno seria artista da vida, uma pessoa que vive criativa e apaixonadamente a própria existência.
Ele lembra que todos somos artistas na medida em que criamos nosso estilo de vida. O artista é aceito pelo social. O seu atrevimento já é esperado pela sociedade.
“Antigamente o artista poderia ser vaiado, como aconteciam com as óperas. Van Gogh, por exemplo, morreu sem que suas obras fossem reconhecidas. Mas atualmente uma pintura estranha ou uma música dissonante são tomadas como válidas.
A modernidade sólida não aceitava que existissem estilos de vida diferentes dos convencionados. A modernidade líquida, isto é, a hipermodernidade, já aceita que cada um produza esteticamente seu estilo de vida”, explica.
Segundo Armony, como o borderline não passa pela repressão, ele quer que sua realidade interna se realize imediatamente no social. Ele o faz independente de ser mais difícil ou mais fácil.
Ele o faz magicamente porque ele não percebe as dificuldades reais existentes. Muitas vezes isso dá certo. Se ele tem uma idéia original, estranha à sociedade, ele não desiste de realizá-la. Ele é insistente. Ele então pode criar uma nova realidade para a sociedade ou responder a um desejo dessa sociedade, que virá a aceitar sua fantasia.
Segundo Armony, o encontro de dois borderlines brandos pode ser um acontecimento, no mínimo, curioso. Isso porque o psiquismo de um permeia o psiquismo do outro. Essas pessoas realizam trocas de afetos e fantasias sem perder a sua individualidade. Elas estão em identificação mútua contínua.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais na sua IV versão, o transtorno de personalidade borderline é indicado quando presente cinco ou mais dos seguintes critérios:

(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado

(2) um padrão de relacionamentos instáveis e intensos, alterando entre a idealização e a desvalorização

(3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem

(4) impulsividade em pelo menos duas das áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo sexo, gastos financeiros, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente)

(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante

(6) instabilidade afetiva devido a acentuada reatividade do humor e sentimentos crônicos de vazio

(7) raiva intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por exemplo, demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)

(8) ideação paranóide transitória relacionada ao estresse.

Publicado na revista Psique

sábado, 20 de agosto de 2011

Meu olhar através do seu olhar


Eu não sei se poderia descrever o ver o mundo com os seus olhos...
Poderia ser de forma ambígua e confusa.
Minhas percepções seriam minhas apenas,
E nada poderia estar além do meu suposto olhar.
Eu acredito em percepções.
Interpretações, mesmo que certas do meu ângulo,
Talvez perderiam o sentido do seu sentido,
Talvez ganhariam outro olhar
Do grande Outro: imaginário e fugaz.
Além do que já  faço diariamente,
Ver com os seus olhos representa toda a dor
Que não dou mais conta,
Todo desejo represado em palavras e atos
Que não caberiam em um texto,
Ou contexto, será?
O que será que os seus olhos observariam através dos meus?
O que será que no meu discurso há,
Que te possa movimentar o que guardas dentro d'alma?
O que será que está contido no meu dito,
Que faz a tua alma se sentir mais amena,
Mais leve e decifrável?
O que te faz mais meu?
Movimento?
O que te assombra e temes?
Será o ato da palavra, discurso remoto e motor?
Será o que os teus olhos outrora não desvendaram?
O que será que te move e que te encantas no meu canto?
Sempre estive aí, tão perto ou tão longe,
Mas sempre dentro de nós.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ACTING-OUT: O OBJETO CAUSA DO DESEJO NA SESSÃO ANALÍTICA

Por Tania Coelho dos Santos

Publicado em OPÇÃO LACANIANA Revista Brasileira Internacional de Psicanálise, número 30, eds. Eólia, SP pags. 2001

A experiência analítica limita-se pela tarefa mesma que ela nos impõe: a de tudo dizer. O acting out irrompe como obstáculo interno a essa tarefa, isto é, mostra o que não se diz porque é impossível de dizer. Nas páginas que se seguem vamos ensaiar a hipótese de que há um laço de estrutura entre o fenômeno do acting-out e a passagem ao ato ao término de uma análise. Acreditamos seguir algumas pistas de Lacan tais como a que se segue: “No acting-out diremos portanto que o desejo para se afirmar como verdade, se engaja numa via onde, sem dúvida, só consegue chegar de uma maneira singular [...]’ele não é articulável, embora seja articulado’... ele é articulado, objetivamente se esse objeto que aqui designo é, o que chamei da última vez, o objeto a.”

Para seguir essa pista é preciso que nos recordemos de que o sujeito de que fala Lacan constitui-se no lugar do Outro, marcado pelo significante. O Outro é barrado, isto é, sempre enigmático, incompleto, logo é impossível apreendê-lo todo porque “a garantia de sua existência falta”. O sujeito, por conseguinte, será uma ocorrência também incerta no campo do Outro. Por isso Lacan nos dá uma pista para reconhecê-lo na experiência analítica: “o único traço de sua ocorrência é um objeto que se desprende, que se dejeta ou se deixa cair”. Eis aí a importância do acting-out e da passagem ao ato como índices da ocorrência do sujeito como impossível de dizer.

Passo então a distinguí-los sem deixar de mostrar sua articulação. Eles têm em comum o fato de constituírem modos de dejeção da cena. É preciso distinguir a dejeção de um objeto, da dejeção do próprio sujeito. O acting-out é uma saída à maneira de um contorno. Trata-se de uma dejeção do campo da fala pois “o objeto” se mostra. A ênfase é demonstrativa, orientada para o Outro e, portanto, não requer interpretação. O acting-out é já, em si mesmo, uma interpretação do desejo. A passagem ao ato é o gesto de deixar para lá o que é “impossível de dizer”. O sujeito devém o mais “apagado pela barra” e é dejetado da cena analítica. No momento do maior embaraço frente a uma conjunção impossível entre um “excesso de significantes no Outro” e “a falta de um único que possa representá-lo” que, com a adição comportamental da emoção como desordem do movimento, o sujeito precipita-se do lugar historiado que ocupava até então e bascula “fora da cena”. É nesse sentido que compreendemos a destituição do sujeito suposto saber ao término de uma análise. Ela designa o fim de uma análise e difere de uma interrupção quando é correlativa da passagem ao ato da realidade sexual do inconsciente.

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Apenas Mais Uma de Amor





Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Sub-entendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Eu Acho isso tão bonito
de ser abstrato,baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
 
Lulu Santos e Nelson Motta

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Japão - Por Beatriz Pittas



João e Pedro fizeram seus próprios skates e foram ao parque. 
Mas então, tinha uma poça de piche e o carrinho de pipoca explodiu.
Chuva de pipoca pra todo lado.
Os meninos então correram até o japão.

 

Bia tem 8 anos

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amizade



Sofia e Beatriz (minha nina)