quarta-feira, 18 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Rotina com Pedras Portuguesas

Estava novamente super atrasada. Corria, tropeçando pelos buracos da calçada com pedras portuguesas que formavam ondas em preto e branco, tropeçou e por pouco não foi ao chão, outro salto de sapato destruído, pensou. Lembrou que demorou muito para encontrar o que vestir, para se maquiar, checar as tralhas dentro da bolsa, se o celular tinha bateria suficiente, se ia conseguir fazer tudo o que precisava naquele dia, se sua sócia não se esqueceria de levar o contrato para o novo cliente assinar...
Ufa, tantos senões que de segundo em segundo, se transformavam em minutos de atraso.
Entrou no metrô e por sorte conseguiu um lugar para sentar e tentar relaxar um pouco. Olhou de soslaio para o lado e percebeu a senhora delicada e bem vestida. Seu perfume era bom e seu rosto demonstrava o tempo da sua experiência. Nas mãos, um esmalte delicado e um anel de pérola antigo. Não era casada e possivelmente, era uma dessas solteironas cheias de manias e perfeccionismos. Arre! Lá estava ela a ficar imaginando coisas. Precisava parar com essa mania. Seria ela uma neurótica, paranóica compulsiva? Riu de si mesma, estava novamente se diagnosticando. Deve ser um sintoma...
De repente, o trem parou em uma estação que também não prestou atenção chegar, entrou uma mulher pequena com um bebê no colo, já ia levantar para ceder o seu lugar, quando um senhor de cabelos grisalhos o fez primeiro. Ele a olhou e lhe dirigiu um sorriso como se não fosse necessário o seu gesto. Gentil e delicado, raro nos dias de hoje.
Mergulhou novamente em seus pensamentos e logo chegou ao seu destino, estação da Carioca. Com ela, um mar de passageiros se precipitou pela escada rolante, preferiu ir pela escada ao lado. Esbarrou em uma sacola qualquer que arranhou a sua perna, puxando um fio da sua meia de seda. Pensou que aquele seria um dia daqueles...
Prosseguiu até alcançar a Avenida Rio Branco, que outrora era famosa pelos seus lindos prédios em Art Déco, com homens e mulheres bem trajados e tranqüilos.
Agora, observava uma profusão de pessoas, camelôs e veículos de todos os tipos, barulho e certo nervosismo nos semblantes, alheios ao seu pensamento saudosista.
Seria este, o ideal futuro que o passado tanto esperou e propagou para a vida humana?
Lá estava ela novamente, era quase um pedido de socorro. Porém, precisava seguir no presente, atravessar a avenida e deixar o passado do Rio antigo eternizado em fotos e saudades.
Chegou enfim ao prédio onde ficava seu escritório de advocacia, cumprimentou o porteiro, entrou no elevador e apertou o botão que a levaria ao décimo terceiro andar.
Tudo estava calmo, as pessoas trabalhavam e concentradas, nem perceberam a sua presença esbaforida. O telefone tocou e foi o suficiente para acionar seu mecanismo interno de trabalho, trabalho e mais trabalho. Não percebeu que era exatamente aquele “iniciar” que fazia toda a diferença, que a lançava para a vida corrida e que, em curtos momentos de espera, a fazia meditar em sua rotina.
E por falar em rotina, o que será mesmo que faria do seu cotidiano sem ela?

domingo, 1 de novembro de 2009

Fale com ela...


Fale com ela através das canções que escuta no seu headfone,
Palavras que o tempo guarda e não retornam mais.
Fale com ela o que escondeu por vaidade,
Que o vento espalha e o céu esconde em seu infinito,
Palavras de afeto que não foram ditas.
Fale com ela o que o machuca e o dilacera,
Deixe para trás o que esqueceu porque corria demais.
Sons, imagens e ditos do passado,
Onde não cabem em versos e estrofes,
Porque eles se repetem pelo tempo.
Fale com ela sobre o seu perfume
Que ainda insiste na sua memória,
Do seu jeito de sorrir espontâneo e único,
E de como se sentia, recebendo o seu amor.
Fale com ela, das noites que achou que não foram sonhadas
E dos dias que pensou serem tristes sem a sua presença.
Fale com ela com a inocência dos anjos,
Porque o amor é um sentimento que não se dá o tom.
O amor é algo valioso o suficiente para acomodar
Em nossa pequena e veloz vida humana.