terça-feira, 30 de novembro de 2010

O tempo lógico



É o tempo sem medida, sem os segundos das horas.
É o tempo que o nada é o tudo, o integral, o total.
Que preenche o vazio no intervalo do pensamento.
É o tempo fugaz na lógica do sujeito.
Tempo que segue sem medidas, que voa.
Tempo de esperar o momento seguinte,
Das mentiras sinceras e verdades amenas.
Tempo meu,
A minha lógica de existir.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sobre o envelhecer...



"Para os Idosos do Mequinho, que estão seguindo com um envelhecer saudável e repleto de novas possibilidades"

Não vou falar aqui sobre o peso do envelhecer, tema que escolhi para nomear este post, mas desta palavra, forte como um significante mor, como um tempo que pensamos que nunca iremos alcançar, como um "preste atenção" e como uma recuperação da nossa beleza interna...

Enfim (sempre uso o enfim), da esperança de poder pentear nossos futuros cabelos brancos frente ao espelho com mais atitude, amor e complacência.

Esse tempo que passo com os idosos do Mequinho (campus da UFF - geriatria), tem feito sobre a minha pessoa, uma devassa salutar para a minha compreensão interna. Eu me pergunto: para onde estou caminhando?

Vou perguntar pra você também: - Sabes para onde o seu coração, seu corpo, suas ações estão te levando? Pois é, eu me perguntei e não achei uma resposta convincente...
Eu então observo a sabedoria dos idosos, suas histórias e seus desejos (mais vivos e atuais do que nunca), que são na verdade, possibilidades reais.

Falo da velhice que enxergamos enquanto jovens, como o bicho papão das histórias infantis. Quer saber o que mais, a velhice é diária, acontece lentamente, e frente inclusive, a porta de vidro de Banco espehada mais próxima...

Precisamos urgente, acabar com o discurso que falta muito tempo ainda, eu não estou preocupado, e até mesmo, não sei se vou estar vivo para ver! Te cuida, aprende a olhar para o seu corpo e suas necessidades, com mais atenção e prioridade. Busque um envelhecer saudável.

Acorda, sai um pouco desse lugar de que não é comigo. Porque na verdade, é para hoje!
Segundo as irmãs Munakata, de Yasujiro Ozu, "A verdadeira novidade é aquilo que não envelhece, apesar do tempo".

Sacou?

Eu também espero sacar na mesma medida que você. Até porque, este blá-blá-blá, foi feito sob medida para todos nós...

domingo, 21 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A corajosa Senhora Z.

- Muito prazer em conhecê-la!
Escutei de uma senhora pequena, morena, de olhinhos estreitos e alegres, após me apresentar e iniciar uma conversa. Quando questionada pelo motivo de estar ali, seu rosto abriu um grande sorriso, senti que ela queria “papear”. Passou então, a “tricotar” a sua vida, ponto por ponto. A Senhora Z., é órfã desde a sua infância e quando pequena, viveu de casa em casa de parentes, que não a pouparam do trabalho árduo. Sua vida sempre foi de bastante labuta.
- Desde muito nova fui trabalhar na roça, depois fui vender laranjas na feira. O meu último trabalho era catar ferro velho. Juntava tudo que podia, carreguei muito fogão e geladeira nos ombros, por isso tenho essa dor aqui - apontou para as suas costas, bati muito ferro - mostrou as mãos, e raspei muito alumínio, completou com a voz quase sumindo de cansaço, devido à fibrose pulmonar.
- Era tanta tralha, tanto ferro no meu quintal, que tinha medo de juntar algum bicho ruim, então mantinha tudo arrumadinho. Eu mais meu marido já falecido, trabalhamos muito. Mas Deus agora é quem cuida de mim. Ele é quem sabe...
Sua internação foi feita por dois vizinhos de quintal e únicos amigos que possui. Eles relataram que ela estava fazendo as vezes de pedreiro, quando desmaiou no quartinho em que vive.
- Não sei o que tenho, é uma dor que não é dor...
- Um mal estar, completei...
- É, é isso, um mal estar. Aí sinto falta de ar e até a minha visão deu pra ficar turva. “Tô” vendo a doutora com uma fumaça na frente, tudo embaçado. Só saio deste hospital, depois que fizerem um exame na minha cabeça. Devo ter algum “treco” ruim aqui dentro, termina afagando a própria cabeça.
- Fico preocupada também com o meu quartinho, sabe como é hoje em dia, casa sem gente é a mesma coisa que casa sem dono.
Pergunto se ela tem filhos e ela nega.
- Tenho não doutora, a minha família é a minha gatinha que eu chamo de Oncinha.
Eu falo assim pra ela:
- Cinha, você não pode subir na minha cama, porque você anda por aí, passa pelo valão, pelas sujeiras da rua, se subir aqui, pode passar doença pra sinhá, e aponta para ela mesma.
- E aí? Como é que eu vou poder comprar sua comida? Ela me olha, faz um miado dengoso e escorrega para o chão. Parece que é gente...
Comecei a me despedir da Senhora Z., quando chegou uma dupla de mulheres que deram início a músicas alegres para as pacientes da enfermaria. A Senhora Z levantou, dançou e cantou junto, estava animada...
Despedi-me falando para ela:
- Foi um prazer conhecê-la!
E realmente o foi. Meu dia, a enfermaria e o hospital, ganharam novas cores, pensei alto:
- Hoje eu conheci a cor da coragem!

domingo, 14 de novembro de 2010

Rosas cor de rosa



São cor de rosa
as rosas.
São femininas
as lindas pétalas
que fotografei.
São infinitas,
as possibilidades
do meu grande
AMOR,
por você.
E será
para sempre,
desde o primeiro dia,
 que meus 
olhos pequenos
e castanhos,
te 
captaram.
Ficou então
na minha memória,
como um flash,
como um instante,
eterno
e único.
É por você,
tão
somente
e só,
as rosas
cor de rosa.
 que guardei.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

EP4 - Geronto

Nosso grupo EP 4, agora na enfermaria do Hospital Antonio Pedro - UFF

Ninas...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A de adolescente

Dia desses, uma mãe desesperada com a rebeldia da sua filha pré-adolescente, desabafou: - Deve haver um jeito, uma fórmula, uma receitinha familiar para ser mãe nos dias de hoje. Porque eu estou no limite! Sinto que o meu ser vai explodir. São muitas as dúvidas, os medos e as lágrimas. Eu ali, na escuta...

Nessas horas, eu que também sou mãe de pré-adolescente, percebo claramente que não dá pra evoluir como psicóloga, e que a psi que reside dentro de mim, na verdade mandou um recado, para ir procurá-la na próxima esquina. Ou seja, buscar ajuda e dar tudo de "si" (como diz a Aninha, minha querida amiga psicóloga e pedagoga).

É isso aí! Eu sei que as crianças estão em outra etapa, que precisam desconstruir pai e mãe para se constituir sujeito, que a busca da identidade é difícil, que em geral, os adolescentes entram em um "estado psicótico” (isso é normal), que toda verdade é individual, irrestrita, intransferível, e o pior: - r i g o r a s a m e n t e - donos do saber supremo.

Adolescer, aborrecer, enfim, adoecer os laços parentais para renascer.

A fórmula, a receitinha familiar e a teoria, são do tempo, da cultura e do sujeito.
Ah, porque muitas vezes não percebemos que aquele bebê, seu bebê, que tinha o peito predileto para mamar, agora apresenta as suas escolhas de forma tão confusas?

O adolescente não suporta ser demandado. Opção? Levante questões, que tais aquelas máximas: O que você acha? O que você sugere? Vamos decidir... E por aí vai.
Não convém tentar expor seu parecer, como: "Eu penso que..." porque ele não está muito interessado sobre o que você pensa, naquele momento “crucial” para ele. Calma, mantenha-se firme! Não mergulhe em um mar de dúvidas, culpas e autocríticas, como “Onde foi que eu errei?”.

Entre acertos, erros, tombos e estilhaços, com certeza vão sair pedaços para todos os lados. Só não se esqueça de levar a paciência e o limite, OPS, eu falei limite?

Atenção! Última chamada! Alguém aí faz o favor de avisar aos pais e mães contemporâneos e ultra, super, hiper antenados e tecnologicamente preparados, que o limite é algo importante e primordial, como a boa escola, o curso de inglês, a faculdade, etc, etc, e tal...

Então, acrescente a receita: amor, atenção e muita conversa. Seu filho ou filha adolescente aprecia se colocar, ser escutado e respeitado nas suas opiniões recém descobertas e internalizadas. Tenha o diálogo, como uma chave para manter o relacionamento de vocês sempre aberto.

Não se preocupe se depois de todo esse terremoto, seu menino ou sua menina, te endereçar um olhar pidão, e daquele jeito que só nós, pais e mães constituídos de pura "bobice", repetirmos para nós mesmos, “Então tá, eu também já fui adolescente!”.

Mas não entre em pânico se você como ser humano, se sentir perdido, gritar, perder o controle ou chorar, tenha a certeza absoluta que você não está sozinho, faz parte!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O meu sangue ferve por você

Excelente dica da Senhora Loirinha Má

domingo, 7 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Para Pablo


A casa de Pablo
tem cores,
tem brinquedos,
quadros e muitas escadas.
A casa de Pablo
tem sonhos
de sonhar os homens,
de sentir as mulheres.
A casa de Pablo
tem paredes curvas,
tem janelas abertas,
por onde entram
luzes, desejos e horizontes.
Na casa de Pablo
se recebe,
se veste,
e se percebe o amor,
nas palavras de Neruda.