segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Quase 50

de histórias,
fotos,
aniversários,
lembranças,
amores,
desafetos,
besteiras,
primaveras,
verões,
sol e mar,
outonos,
invernos,
viagens,
férias,
estudos,
originar vidas,
preguiça,
trabalho,
amigos,
outros nem tanto,
parcerias,
tristezas,
porres,
fumaça,
significados resignificados,
objetos perdidos,
outros achados,
conceitos,
preconceitos,
e blá, blá, blás...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

XI / Disquisição na insônia

Que é loucura: ser cavaleiro andante
ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
vê o real e segue o sonho
de um doido pelas bruxas embruxado?
Eis-me, talvez, o único maluco,
e me sabendo tal, sem grão de siso,
sou — que doideira — um louco de juízo.

Carlos Drummond de Andrade

Lacan para todos


Na tópica do imaginário, Sem.1, Lacan,

usando o esqueminha ótico do buquê invertido,

mostra como,

dependendo do lugar do olho e da inclinação do espelho,

uma ilusão pode ser real.

Eu vejo lá um inteiro que não está cá...

Viajar é preciso...


Contas coloridas


Andei escolhendo contas coloridas, queria montar com elas, minha pequena história.
Aos poucos fui sonhando e vi surgindo um lindo cordão, desses que dá voltas e voltas.
Fui percebendo que minha vida era assim, com muitas idas e vindas
muitos vôos por lugares que nem mesmo conhecia, mas que ansiava a cada noite...
Ia sempre ao encontro de alguém, a um jardim de rosas vermelhas, ou simplesmente abria os braços para o vento que me recebia soprando em meus ouvidos, palavras doces e sonoras.
Venha, ele dizia, conte sua pequena história e deixe sua vida seguir um pouco com a minha tristeza e solidão. Porque amada, só tenho as minhas memórias.
Elas me doem a carne e insistentemente me acordam na madrugada,
onde só tenho a escuridão como companhia. Seguíamos juntos noite adentro...
Quando acordava do meu sonho, estava feliz e pedia para estar novamente com o vento...

Toada do neurótico


Não sei se vou, não sei se fico, não sei se sou isso ou aquilo...
Não sei se quero sim, se quero não. Não sei enfim, se sou eu, se é você...
Porém, ACHO que sei de tudo que me aflige, mas não sei explicar o porque...
Tudo que me conste das coisas esquecidas e afazeres absolutos de urgência me enlouquecem... Por pouco entro em surto!
Há todo momento DESEJO - o que suponho não ter e que me FALTA sempre...
Essa falta que não acaba!
Julgamos o outro o tempo todo, nada está perfeito, e a nós mesmos de forma cruel e extraordinariamente duvidosa. Imaginamos estar dentro da mente e no interior alheio...
Será que aquela pessoa percebeu???
MEU DEUS, O QUE FAÇO??? O QUE ELA TEM QUE EU NÃO TENHO???
Pobre de nós, pobrezinhos dos homens descrentes de seu próprio valor,
endividados em seus pensamentos onipresentes e inconstantes.
Valei-me meu São Neurótico - TÁ FALTANDO ESSE AÍ, SERÁ QUE ELE EXISTE ???
Salvai as almas esquecidas e faltosas de si!

Sim, eu posso cantar!


A quem interessar possa destinar este imperativo, aprecie!
Escuto algumas músicas com o pensamento distante
E sem equívocos.
Seria vero concordar com o real dito na letra
Se fosse valer o que realmente está ali...
A música pode esconder desejos
Covardemente ceifados do peito e da mente
Como um mais gozar.
Mas pergunto, quem será este senhor que canta
Qual será o seu ganho?
Quem poderá lhe dar a mão e tentar resgatá-lo da toca profunda
Sem sonhos, sem algo que possa nomear de seu?
Oh, my Lord!
Demorou pra cair a ficha
Queimar a cortina de veludo vermelho que a tudo envolvia.
Tirar a máscara de persona tão ambígua
Que escreve e canta determinando a vida
Com a razão dolorida da falta materna
outrora, doce quimera de sonhos infantis.
Sigo escutando as músicas, com notas de primeiras, segundas
E quem vai saber, terceiras intenções.
Quem saberá o que eu sinto quando cantarolo a canção, senão eu?
Quem vai saber, se um dia signifiquei em tua alma, ou, em outro
Morrerei sem teus beijos, dançando ao passo suave da tua canção?

Os Passistas

Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Às vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.
Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça à beleza total, vem.
Nós,
Cartão-postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.

Caetano Veloso - Livro

Nada x Nada


Esta sou eu, fazendo uma das coisas que mais gosto,
nadica de nada frente ao mar azul, azul...