terça-feira, 21 de julho de 2009

Presente




Namorava os livros de Freud desde o início do curso e desejava uma que fosse só minha. Capa vermelha, azul, preta, qualquer uma. Nova, usada, velha, que fosse... Imaginava lendo, aprendendo mais, exposta no meu futuro consultório. Um sonho real que eu compartilhava com todos que me cercam, como próximo passo para o resto da minha vida.
Depois do canudo ela chegou, usada, com anotações e muitas histórias, tinha até uma foto dos anos 70 dentro... Umas crianças dançando em alguma festa junina, um mimo!
Aí eu chorei, chorei de surpresa, paixão, sentimento puro pelo reconhecimento do amor que demonstro por essa bela profissão. Eu consegui e caminho com destino ao meu lugar ao sol, meu lugar de psicóloga. Esse lugar é difícil, conquistado com muito estudo, disciplina, doação, persistência e porque não, desejo...
Eu desejo ser. E desejo o sujeito que escreveu e com palavras se colocou.
Veio assim na dedicatória:
"As palavras se perdem no tempo. É preciso juntá-las, dá-lhes forma para que não se percam. Passá-las adiante no seu modo mais puro. São muitas as palavras registradas nestes livros. Elas questionam, invocam, provocam e ensinam. Não são novas, um pouco amareladas talvez, mas como são atuais! Espero que te sirvam, que te estimulem, que te causem certezas e espanto mais do que dúvidas. Que te inspirem a seguir o teu caminho que sempre foi o de ajudar as pessoas. Talvez Freud me roube algum tempo de você, mas me devolverá uma mulher ainda mais culta, mais sensível, mais linda e antenada com o tempo que nos cerca. Não perca tempo. Aproveite!"

Eu estou aproveitando, obrigada.


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