terça-feira, 31 de agosto de 2010

Françoise Dolto


Médica e psicanalista francesa, Françoise Dolto nasceu a 6 de Novembro de 1908. Defendeu tese em Medicina, em 1939, sobre o tema das relações entre a psicanálise e a pediatria. Teve um grande mestre na sua vida que a aconselhou em diversos momentos, Édouard Piehon.
O método de trabalho usado com as crianças consistia em abandonar a técnica do jogo e da interpretação dos desenhos e em praticar uma escuta capaz de traduzir a linguagem infantil. Segundo Dolto, o psicanalista deveria usar as mesmas palavras que a criança e comunicar-lhe os seus próprios pensamentos sob o seu aspecto real.
Em 1938, conhece Jacques Lacan que acompanhou ao longo da sua carreira de psicanalista. Durante 40 anos, Lacan e Dolto seriam o casal "parental" para gerações de psicanalistas franceses.
Em 1940, inaugura no Hospital Trousseau um consultório aberto a todos os analistas que desejassem formar-se na prática da psicanálise das crianças. Este consultório foi encerrado em 1978, na sequência de diversas controvérsias.
Em 1953, acompanhou Daniel Lagache na criação da Sociedade Francesa de Psicanálise, na qual começou a formar alunos.
Publicou diversos livros, todos eles ligados à psicanálise de crianças e adolescentes e fez vários estudos e tratamentos longitudinais de adolescentes com problemas.
Em 1977, com Gérard Sevérin, psicanalista e editorialista do Jornal La Vie , propôs uma leitura psicanalítica dos Evangelhos, que a levou a conferir um significado espiritualista à questão do desejo, concebido como uma transcendência humanizante e a acrescentar uma base mística à sua tese da imagem do corpo. Esse livro - A Psicanálise dos Evangelhos - foi traduzido em nove línguas e criticado tanto pelos cristãos, quanto pelos teólogos e pelos psicanalistas, gerando muita polémica na época.
Em Janeiro de 1979, criou em Paris a primeira "Casa Verde", para acolher crianças até aos três anos, acompanhadas pelos pais. Tratava-se de evitar os traumas que marcam a entrada no pré-escolar e de manter a segurança que a criança adquire no nascimento e vai perdendo ao longo do tempo. Obteve um imenso sucesso e muitas outras "Casas Verdes" foram inauguradas, no Canadá, Rússia, Bélgica, etc.
Durante a sua carreira, pela rádio e televisão, continuou a lutar pela "causa" das crianças, à qual dedicou toda a sua vida profissional. Faleceu em 1988.
Publicou, entre outros, Psicanálise e pediatria: as grandes noções da psicanálise , dezasseis observações de crianças; L'image inconsciente du corps , onde aborda a sua teoria sobre a imagem do corpo; Como educar os nossos filhos: compreensão e comunicação entre pais e filhos ; As etapas da infância: a relação entre os pais e filhos: do nascimento aos quatro anos ; Transtornos na infância: reflexões sobre os problemas psicológicos e emocionais mais comuns na criança ; O caso Dominique: relato exaustivo do tratamento analítico de um adolescente ; e o polémico A Psicanálise dos Evangelhos .




Como referenciar este artigo:
Françoise Dolto. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-08-31].

Fonte:http://www.infopedia.pt/$francoise-dolto

3 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Como pessoas que fazem tanto, que lutam e lidam e deixam legado que é nosso podem ser ignoradas, desconhecidas, esquecidas? :/

Keila Costa disse...

Tenho me envolvido com esses textos sobre o trabalho dessas 'mulheres maravilhosas'...a propósito, fiquei curiosa por ler a Psicanálise dos Evangelhos...do que mais especificamente trata o livro?
Beijinho

Nina Blue disse...

Conheci sobre F.Dolto, ainda na faculdade. Fiz supervisão Lacaniana,apesar de não o ser... Minha surpervisora, a incrível Benita Lousada, comentava sempre sobre ela (me ensinou muito), então, li seu livro, A Criança do Espelho, e amei. Agora, descobri sobre esse outro livro, achei muito interessante e por isso, o post.Também vou ler. Mas pelo conteúdo, causou polêmicas com a sociedade psicanalítica da época. Geralmente, assuntos da religião, causam muitas polêmicas nesta área.
Francisco está correto e fico feliz com o seu comentário, mostra a sua alma sensível, em relação a mulheres no campo da psicanálise, onde na maioria das vezes, é tão masculino. Há tempos venho pesquisando outros expoentes da psicanálise.