domingo, 23 de outubro de 2011

Acaso




Escutava pelo headfone e cantarolava a música quando algo a fez parar, “... o que o acaso decidir”. Laura silenciou e ficou muda. As palavras da canção como um ultimato, como uma enviesada intervenção. Necessitaria de mais um tempo pra evoluir seus pensamentos. Estava estarrecida, dividida e atônita, totalmente paralizada em ações que pensava já serem naufragadas no seu mar interno de ondas a ir e vir sem parar. O que? Como assim? Ah, já conhecia seus questionamentos ambivalentes. Sabia que a dor se transformara em um acaso feito de surpreendentes ditos, repletos de pontos de interrogações e senões, sem nenhum alento. Talvez fosse melhor assim, seus dias são um rebuscado de dilemas e confusões cotidianas. Por que parar? Afinal, tudo vai dar no mesmo lugar, no endereço de sempre e continuou cantarolando a música do Lulu “... Nós somos feitos um pro outro pode crer, por isso é que eu estou aqui .  E não há lógica que faça desandar, o que o acaso decidir”.

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