sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Senhora Ex-Machine

Ela meio que não sabe, ela é tipo assim, ela que talvez não use as palavras certas para decifrar o vai e vem da sua alma ainda de menina. Ela esqueceu ou se recusou de crescer e envelhecer, só pra guardar o amor que não cabe mais onde está. Além do que sente, sentiu ou pensa compartilhar, com o desconhecido da sua fronteira imaginária em um castelo no ar. Ela esqueceu de contar os dias que perdeu correndo e se deixando levar. Ela não sabe ainda em que espelho se olhar,  que rosto comparar e para quem sorrir e se dar. Ela tem perguntas, traduções próprias, esquemas certos, encontros adiados e ainda assim, ela fica a achar que o que procura deve estar perdido em algum arquivo pessoal. Seriam fotos, cheiros, sabores, seriam amores mortos, secos e intactos. Só para viver depois de amanhã. Ela que pensa que o seu dia recém começou depois de anos que não podem mais retornar, só pra contar que ela não sabe mais de nada que lhe traga o que hoje, agora quer para ela que... 

4 comentários:

Keila Costa disse...

'Ela que pensa que o seu dia recém começou depois de anos que não podem mais retornar, só pra contar que ela não sabe mais de nada que lhe traga o que hoje, agora quer para ela que... '...ah esses anos que não retornam e esse sentimento de querer recomeçar que nunca cessam,mas por onde recomeçar?
Beijos Nina

O N Z E P A L A V R A S disse...

Texto estilisticamente hipnótico, como se fosse uma frase só, um fôlego só, uma única rajada de dúvida, de humano, do que nos faz iguais.

Celso Andrade disse...

Uau.. musica boa texto hipnótico como disse a moça do comentário de cima..

sereno,
simples

tocante!


abraços poéticos

A.S. disse...

Nina,

Há na personagem do texto a insegurança de quem receia o fracasso e o inevitável parar do tempo!


Beijo!
AL